Daniel Pérgamo No Cemitério Fétido - Parte IV - Senti-me abandonado e perdido novamente. Com a diferença de estar agora um pouco mais confortado pela memória. Não parava de pensar em minha terra e meus amigos. Como estava a minha cidade sem min? Caminhava por aquele chão de onde, por vezes, saíam insetos contorcidos, que voavam ao me aproximar deles. O céu era mórbido. E em uma combinação do branco, vermelho e preto, o lugar ficava mais tenebroso do que parecia. Avistei algumas torres, que tinham tanto forma quanto cores variadas: Agulhas, espinhos, espetos, lisas, tortas, negras, metálicas, vermelhas, foscas, enferrujadas... Tudo combinando obscuramente com o céu e o chão: escuro, seco, e rachado. Tudo parecia que ia demorar. E o que seria o Salão Foltere, ainda estava muito longe. Além das torres e do grande templo eu avistava uma construção, grande, mas menor que as torres, de onde pareciam vir gritos de pavor. Eu deveria estar assustado, mas não sei, é como se já estivesse acostumado com aquele cenário que todos chamavam de inferno. Caminhei por horas, mas o salão ainda estava muito distante, até que me cansei e resolvi parar para descansar. Abri o baú que carregava e retirei o cantil, bebi um gole de água, comi uma fruta, que já não estava tão fresca e sentei-me em cima do baú. Alguns homens se aproximaram de mim, imaginei que fossem demônios. Eu os reconheci, eram os demônios que encontraram naquele cemitério fétido. Aqueles malditos seres, um gordo e outro magro, com os mesmos trapos de roupas e aparência horrenda. O gordo me olhou e disse: - Pobre Daniel, ainda não se lembra de nada não é? Acho que quer saber de tudo. Não é mesmo, Daniel Pérgamo? Pobres diabos, não sabem que eu já descobri tudo – pensei. Resolvi me aproveitar da situação e disse a eles com um tom de inocência em minha voz: O magro cochichou algo no ouvido do gordo, que disse logo em seguida: - Isso mesmo. Daniel se lembra ao menos, qual é a sua profissão? - Sim é claro, sou um escriba de pergaminhos – disse eu. - muito bem. Alguém, na noite do festival da colheita de sua cidade, mexeu em seus mexeu em seus pergaminhos. E leu o de teleportação. Muitas pessoas foram teleportadas e você veio parar aqui. - Mas que lugar é esse?- perguntei. - Esse é um plano paralelo a Droenar, digamos assim. Mas você esta preso aqui. Temos em nosso castelo, um espelho que transporta as pessoas para oi seu reino de origem. Se nos ajudar escrevendo alguns pergaminhos, te levamos até lá. - Claro, claro! – disse eu “animado”-. Vocês estão com os papiros aí? Posso começar. Qual magia quer que escreva? Ele deu um sorriso e argumentou: - Não estamos com nada aqui. Mas vamos te levar até o castelo de nossos irmãos, eles são quem entendem de pergaminhos. Não somos magos. É preciso um mago pra isso, você sabe. Tudo bem ir conosco até lá? - Por mim tudo bem, já estou aqui há muito tempo e quero ir embora logo. Aliás, por aqui não se sente sono? Já estou nesse lugar há quase um dia e não sinto sono, apenas o corpo cansado. - É verdade. Aqui seu corpo não precisa de descanso físico. Entenderá quando for embora. Ele retirou uma corneta da bolsa de couro que carregava e a tocou, produzindo um som seco, alto e agudo. Pouco tempo depois, uma espécie de ave, sem penas, asas de morcego, pele cinza e olhos amarelos desceu e eles montaram. O magro tomou as correntes que eram rédeas e disse: - Pode subir rapaz, é seguro! Com um pouco de dificuldade, subi no bicho e logo em seguida levantamos vôo. - O castelo está há umas duas horas – ele disse. ... Continua.
- Que bom encontra-los de novo! O Cavaleiro Negro entrou por um alçapão no chão e não consegui mais vê-lo. Como disseram para seguir o rio, fui seguindo até a margem e logo encontrei um barco abandonado, onde achei esse baú e um corpo com essas armaduras – disse isso rezando para que existisse alguma chance de ser verdade -, e desci o rio. Segui o deserto até chegar aqui. Agora já podem me contar tudo.


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