Droenar: Um Mundo de Ideias


16/07/2008


Daniel Pérgamo No Cemitério Fétido

- Parte IV -

 

 

            Senti-me abandonado e perdido novamente. Com a diferença de estar agora um pouco mais confortado pela memória. Não parava de pensar em minha terra e meus amigos. Como estava a minha cidade sem min?

            Caminhava por aquele chão de onde, por vezes, saíam insetos contorcidos, que voavam ao me aproximar deles. O céu era mórbido. E em uma combinação do branco, vermelho e preto, o lugar ficava mais tenebroso do que parecia. Avistei algumas torres, que tinham tanto forma quanto cores variadas: Agulhas, espinhos, espetos, lisas, tortas, negras, metálicas, vermelhas, foscas, enferrujadas... Tudo combinando obscuramente com o céu e o chão: escuro, seco, e rachado.

            Tudo parecia que ia demorar. E o que seria o Salão Foltere, ainda estava muito longe. Além das torres e do grande templo eu avistava uma construção, grande, mas menor que as torres, de onde pareciam vir gritos de pavor. Eu deveria estar assustado, mas não sei, é como se já estivesse acostumado com aquele cenário que todos chamavam de inferno.

            Caminhei por horas, mas o salão ainda estava muito distante, até que me cansei e resolvi parar para descansar. Abri o baú que carregava e retirei o cantil, bebi um gole de água, comi uma fruta, que já não estava tão fresca e sentei-me em cima do baú. Alguns homens se aproximaram de mim, imaginei que fossem demônios. Eu os reconheci, eram os demônios que encontraram naquele cemitério fétido. Aqueles malditos seres, um gordo e outro magro, com os mesmos trapos de roupas e aparência horrenda. O gordo me olhou e disse:

            - Pobre Daniel, ainda não se lembra de nada não é? Acho que quer saber de tudo. Não é mesmo, Daniel Pérgamo?

            Pobres diabos, não sabem que eu já descobri tudo – pensei. Resolvi me aproveitar da situação e disse a eles com um tom de inocência em minha voz:
            - Que bom encontra-los de novo! O Cavaleiro Negro entrou por um alçapão no chão e não consegui mais vê-lo. Como disseram para seguir o rio, fui seguindo até a margem e logo encontrei um barco abandonado, onde achei esse baú e um corpo com essas armaduras – disse isso rezando para que existisse alguma chance de ser verdade -, e desci o rio. Segui o deserto até chegar aqui. Agora já podem me contar tudo.

            O magro cochichou algo no ouvido do gordo, que disse logo em seguida:

            - Isso mesmo. Daniel se lembra ao menos, qual é a sua profissão?

            - Sim é claro, sou um escriba de pergaminhos – disse eu.

            - muito bem. Alguém, na noite do festival da colheita de sua cidade, mexeu em seus mexeu em seus pergaminhos. E leu o de teleportação. Muitas pessoas foram teleportadas e você veio parar aqui.

            - Mas que lugar é esse?- perguntei.

            - Esse é um plano paralelo a Droenar, digamos assim. Mas você esta preso aqui. Temos em nosso castelo, um espelho que transporta as pessoas para oi seu reino de origem. Se nos ajudar escrevendo alguns pergaminhos, te levamos até lá.

            - Claro, claro! – disse eu “animado”-. Vocês estão com os papiros aí? Posso começar. Qual magia quer que escreva?

            Ele deu um sorriso e argumentou:

            - Não estamos com nada aqui. Mas vamos te levar até o castelo de nossos irmãos, eles são quem entendem de pergaminhos. Não somos magos. É preciso um mago pra isso, você sabe. Tudo bem ir conosco até lá?

            - Por mim tudo bem, já estou aqui há muito tempo e quero ir embora logo. Aliás, por aqui não se sente sono? Já estou nesse lugar há quase um dia e não sinto sono, apenas o corpo cansado.

            - É verdade. Aqui seu corpo não precisa de descanso físico. Entenderá quando for embora.

            Ele retirou uma corneta da bolsa de couro que carregava e a tocou, produzindo um som seco, alto e agudo. Pouco tempo depois, uma espécie de ave, sem penas, asas de morcego, pele cinza e olhos amarelos desceu e eles montaram. O magro tomou as correntes que eram rédeas e disse:

            - Pode subir rapaz, é seguro!

            Com um pouco de dificuldade, subi no bicho e logo em seguida levantamos vôo.

            - O castelo está há umas duas horas – ele disse.

 

 

... Continua.

Escrito por Cesar E.T. XD às 20h27
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15/04/2008


Sentei-me à mesa junto às pessoas. Mark olhou pra para mim e disse

- Seu nome é Daniel Pérgamo, correto?

Acenei positivamente com a cabeça. E ele continuou:

            - Como você bem deve saber, os Pérgamos estão em Droenar, nosso planeta, desde que os deuses criaram as pessoas. É uma das famílias mais tradicionais dessa terra. E têm como tradição milenar, a arte de registrar os fatos em folhas de papel, daí o nome pergaminho. Foram os Pérgamos, também que desenvolveram a técnica de reservar magias em pergaminhos. E essa técnica vem sendo passada para toda a população por muitos anos.

            De uns tempos pra cá, essa tecnologia vem sendo apreciada por muitos demônios que querem utilizar as magias mais poderosas e guardá-las em pedaços de papel. Mas, como você bem sabe, apenas magias simples podem ser registradas desta forma. Mas descobrimos que certo Pérgamo, em uma cidade chamada Ozuber do reino de Aromnor, junto com um mago e um papeleiro, desenvolveu um pergaminho mais resistente capaz de reservar magias grandiosas. A idéia foi boa, porém, não se pode esconder muita coisa dos demônios.

            No Festival da Colheita, sua aldeia foi invadida por um grupo de demônios, que roubaram vários pergaminhos especiais vazios e seqüestraram você, afim de que fabricasse pergaminhos poderosos para eles.

            A sua sorte,foi que ao realizarem a magia que os trouxe de volta ao inferno, você foi parar no primeiro circulo. E se não fosse pela Cavaleira Mística, e por Detroiler,- disse ele apontando para o homem da cabeceira da mesa - , só os deuses sabem onde e como você estaria.

            Quando ele me falou isso, minha cabeça dava flash de memória, confirmando o que ele dizia. Com um pouco de dor de cabeça, olhei para Mark e perguntei:

            - Meus amigos estão bem?

            - Pelo que eu e Drake constamos, estamos todos bem- disse i paladino de armadura azul e prateada.

            - Mas seu maior problema não será seus amigos, rapaz. Você é um dos poucos membros vivos da família Pérgamo, que continuam no ofício de escriba de pergaminhos mágicos, se não o único. Você não ficará livre dos demônios até que eles tenham o que querem-disse Detroiler.

            - Mas por que tanto querem isso? -perguntei.

            - Sempre conflitos entre o bem e o mal. A pouco, os anjos massacraram um grupo de demônios, que invadiram área considerada sagrada por eles. E como vingança, querem capturar alguns anjos e prende-los em um lugar conhecido como O Salão dos Gritos para que sofram eternamente. Os Folteres, uma espécie de demônio, acham que a morte e uma graça que deve ser contemplada por poucos

            Mas a captura desses anjos requer uma magia muito poderosa, e os Sorcerae, a classe sabia dos demônios, que sabem essa magia, dizem que não vão sair de suas pesquisas para tomar as dores de ninguém, mas que pode ajudar com algum pergaminho. Mas é óbvio que disseram isso sabendo que não há pergaminho tão resistente ao ponto de reservar tais feitiços.

            Ao saberem da nova tecnologia desenvolvida por você, tentaram um seqüestro para que o plano de vingança seja cumprido. Por isso digo que não terá paz.

            Ao ouvir a historia, tive um plano, meio arriscado, mas como sempre ajo por conta própria, resolvi não dizer nada. E respondi:

            - Me parece justo o que querem. Creio que meio arriscado me soltarão se os ajudarem.

            - Eles te escravizarão! Não vamos deixar você fazer isso!

            - Não podem impedir meu livre arbítrio. Posso até fazer um acordo com eles e quem sabe conseguir alguma coisa em troca.

            - Mas isso é loucura!- disse o paladino enfurecido –

            - Deixo-o ir. Faça o que tu queres, lembra? Essa é A Lei.- disse a Cavaleira Mística- de qualquer forma já fizemos nossa parte. Venha por aqui Daniel, lhe daremos armaduras e mantimentos para viajar até o Salão Foltere para negociar seus serviços.

            - Ah, eu não deixarei esse cara fazer isso!- disse Mark pegando um tacape com espinho e ameaçando atingir-me.

            Mas Drake, o outro homem, apontou um cajado para ele e o paralizou com uma magia e disse:

           

- Cavaleira Mística tem razão, se ele quer, que assim seja!

Detroiler me deu uma armadura simples de metal, que cobria apenas o peito, os ante braços e as pernas. E recebi uma tiara de metal e vermelha das mãos da Cavaleira, que disse-me:

- Leve isso, lhe trará sorte!

Recebi um baú móvel com alguns mantimentos e um mapa para não me perder. Me levaram lá fora. Era a primeira vez que via do lado de fora. Havia varias dunas de areia, algumas pirâmides distantes umas das outras e o castelo deles era magnífico, era todo de pedras grandes cor de areia clara, com duas pilastras no lados, no meio uma grande estatua de Detroiler sentado em um trono e varias esculturas de pequenos lagartos e besouros. Foram comigo até onde acabavam as dunas de areia e começava um chão seco e rachado, onde podia avistar aolonge uma especia de templo grande:

- Ali está o salão Foltere. –disse Detroiler, friamente.

- Não podemos ajuda-lo, essa foi a sua escolha- afirmou a Cavaleira.

Despedi-me e segui em direção ao templo que ficava um tanto quanto longe.

... CONTINUA

 

Escrito por Cesar E.T. XD às 17h31
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26/03/2008


...CONTINUAÇÃO





Então o homem mais gordo me agarrou pelo braço, e encostando suas unhas em meu pescoço, que se transformaram em garras, e disse para o cavaleiro:



- Deixe-nos em paz, ou mato o mortal. E você sabe o q acontece com quem morre aqui.


Senti que o cavaleiro olhava pra min, pois não podia ver por traz de seu elmo. E ele disse:


-


Não há nada que eu possa fazer, não posso impedir seu livre arbítrio. Mas posso executar a lei do caos e acabar com vocês depois disso. Afinal, isso é meu trabalho aqui.


Os dois homens, estranhamente, se transformaram em criaturas bestiais, adquirindo chifres e asas. E voaram em direção a um das torres negras. Pelo menos agora tinha alguém do meu lado naquele cemitério estranho, ou pelo menos é o que parecia.


O cavaleiro virou a cabeça em minha direção e estendeu sua mão para min. O frio do lugar aumentou, a nevoa ao nosso redor diminuiu, os gritos cessaram, e uma alma passou por min. Logo em seguida, com uma voz feminina e doce, o cavaleiro ordenou:


- Suba em meu cavalo, vamos sair daqui.


A cada momento que passava naquele local eu tomava um susto, agora o cavaleiro das trevas havia se transformado numa cavaleira com uma voz materna e acolhedora. Mas tudo era muito real para ser um sonho.


Aceitei o pedido. Até agora ele, ou ela, era a coisa mais confiante que havia parecido ali. Montei em seu cavalo, que de longe era a coisa mais confortável das ultimas horas. Estava cansado, com feridas nos pés e um pouco de sono. Cavalgamos um pouco mais, e então comecei a perguntar:


- Que lugar é esse? Como vim aparar aqui? Quem é você.


- Se acalme meio-elfo, as perguntas serão respondidas na hora certa. Mas pode me chamar de Cavaleira Mística, sou uma espécie de líder desse lugar e sou responsável por tudo o que ocorre aqui. Por isso expulsei aqueles demônios que estavam com você.


- Você manda aqui? Então porque deixa que pessoas como eu vaguem por ai? Espere você falou demônios?! Já ouvi falar deles, então aqui é lugar para onde vão os desrespeitosos com os deuses?


Antes que ela pudesse me responder, o cavalo deu um salto e um alçapão se abriu no chão. E foi ali que entramos. Ao passar para o outro lado, foi como magia. O sol queimou meus olhos, que estavam acostumados com as trevas, mas antes que perdesse a visão, vi o cavalo se tornar branco e a armadura da cavaleira se transformar numa roupa branca com detalhes em dourado, então vi seus cabelos castanhos, também o chão, que era feito de areia. Porem logo fiquei cego com a luz.


Ouvia a voz da Cavaleira Mística me dizendo para me acalmar. Aquele sol me aquecia de forma confortável. Não levou muito tempo para que a cavalgada parasse. Ela me ajudou a descer e me guiou até um lugar com sombra, onde aos poucos recuperei minha visão. O local fora construído com pedras grandes e arquitetura triangular, aparentava ser um castelo. Havia ainda uma mesa onde, na cabeceira, se sentava um homem com roupa parecida com a da cavaleira e um grupo de pessoas ao redor: dois homens e um paladino. Fiquei impressionado com a beleza da Cavaleira Mística, que combinava harmoniosamente com o lugar. Sua roupa era de uma seda brilhante, presa por uma fita verde-água na cintura, sandálias de couro, cabelos ondulados e uma tiara dourada que valorizava o formato fino de seu rosto, e as pedras verdes que combinam com seu profundo e serenos olhar.


Um homem de cabelos louros e compridos, barba por fazer e roupas de couro me disse:


- Boa tarde, me chamo Mark Norua, sou da cidade de Ozuber, sei de tudo o que ocorreu, sente-se e vamos esclarecer suas duvidas.



... Continua

Escrito por Cesar E.T. XD às 19h24
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18/03/2008


- Daniel Pérgamo no Cemitério Fétido –

- Daniel Pérgamo no Cemitério Fétido –



Meu pai costumava me dizer que me partiria em sete se eu o desobedecesse. Com isso ficava na minha cabeça a imagem de meu braço para um lado, cabeça para outro e assim por diante. Mas desde a madrugada de ontem, depois do Festival da Colheita de Ozuber, minha cidade, eu vejo esses pedaços espalhados por toda parte. Esse cheiro fétido de gente morta, esse vento gelado e sos gritos de pavor que parecem ecoar na minha mente, me fazem pensar se eu estou morto. Ainda estou confuso, não me lembro de nada que aconteceu. Lembro-me apenas de estar na festa com meus amigos quando alguém gritou ao longe e todos foram ver, mas me recordo apenas disso.


Levou um certo tempo para que assimilasse as coisas. Ainda não consigo me lembrar de mais nada, mas já posso me levantar. Olho a minha volta e vejo uma terra negra que parece estar morta, vejo também arvores secas que apesar de serem porcas estão distribuídas proporcionalmente entre as lapides de todas as formas. Alem disso vejo algumas torres negras em formato de agulha. Elas se encontram por toda área, que parece não ter fim. O frio do lugar, que não é muito maior do que na minha cidade, é perfeitamente combinado com a nevoa que fica à altura dos joelhos.


Comecei a andar parta ver o que encontrava. Não mais do que três passos e em deparo com uma mão saindo do chão, mas não é só uma, são varias, que também se combinam com as almas que passam por mina todo tempo e os corpos mutilados que se contorcem ou se movem, sem rumo.


Vejo que ao longe há pessoas caminhando ao léu, assim como eu. Tento gritar, mas minha voz não sai. Alguém se aproxima de mim, parece que são dois humanos, vestidos aos trapos, um gordo e outro magro, ambos baixos, que apesar de conversavam entre si, não conseguia compreender suas palavras, parece que falavam em minha mente.


Ao chegarem perto, uma sensação estranha toma conta de min, como se tivesse feito algo errado. Um deles olha pra min e diz:


- Você já esteve aqui mas não se lembra.


E logo depois o outro:


- Venha conosco, vamos lhe mostrar o caminho para se recordar do que aconteceu.


Eu comecei a perguntar muitas coisas, mas parecia que não me ouviam.Então de repente aparece um barco e um deles diz:


- Vamos empurrá-lo até o rio. Só assim se sai daqui.


Sem muitas opções, aceito o pedido. O barco era simples, e seus remos eram bem maiores do que o comum e feitos de metal, e era puxado por uma corda de algodão.


A caminhada, que já durava horas, que se não pelos gritos de horror ouvidos pelo local seria silenciosa, foi interrompida, pois ao longe ouvíamos passos de cavalo, que vinham até nós em uma velocidade incrível. O cavaleiro com armadura pesada e negra, assim como a do cavalo, olhou pra nos três e disse:


- Já lhes disse para não andarem por aqui! Esta é minha área, eu comando aqui! Vão embora, antes que eu os pendure nas torres novamente.



...continua.

Escrito por Cesar E.T. XD às 15h53
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